← Artigos LaudelinoRJ
▼   role para a história
homenagem · maio 2026

Dong Guangping
O Homem que Não Desistiu

董光平

68 anos. Ex-policial. Ativista de direitos humanos.
Quatro tentativas de fuga. Trinta horas no mar.
Tudo para reencontrar a família — e ser livre.

4 tentativas de fuga
30h no mar, sozinho
68 anos de coragem
25+ anos perseguido
Dong Guangping detido na China, 2014

Dong Guangping após sua prisão na China — 2014
(Fonte: Notícias ao Minuto / IOL)

Dong Guangping

董光平 · 68 anos
NaturalidadeZhengzhou, Henan, China
ProfissãoEx-policial — exonerado por assinar petição pró-Tiananmen
FamíliaEsposa Gu Shuhua e filha com asilo no Canadá
Prisões3 vezes — 2001, 2014 e 2022 (ver linha do tempo)
Status (2026)Detido na Coreia do Sul, investigado por imigração

Dong era policial quando, em 1989, assinou uma petição apoiando as vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial. Esse único ato selou seu destino: demitido da corporação, perseguido pelo regime, preso duas vezes, e forçado a ver sua família partir para o Canadá sem ele.

"Durante muito tempo discutimos formas de escapar da China."
— Dong Guangping, antes da travessia de 2026
"Cheguei!"
Dong Guangping — primeiras palavras ao chegar à Coreia do Sul, mai. 2026

Após 30 horas em um bote inflável no Mar Amarelo, quase desmaiando de exaustão, ele usou o telefone para enviar uma mensagem à ativista Sheng Xue confirmando a chegada.

O Massacre que Mudou Sua Vida

Praça da Paz Celestial — Tiananmen, Pequim
"A Praça que o Partido apagou da história — mas que Dong se recusou a esquecer."

Em 4 de junho de 1989, o Exército Popular de Libertação foi enviado pelo Partido Comunista Chinês para esmagar manifestantes estudantis que ocupavam a Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim. O número exato de mortos nunca foi confirmado — o governo chinês suprimiu completamente o evento da memória coletiva nacional.

Dong Guangping trabalhava como policial em Zhengzhou, na província de Henan. Ao assinar uma petição em solidariedade às vítimas, cometeu o que o regime considera um crime imperdoável: lembrar.

1989 Ano do massacre de Tiananmen
3 anos Primeira pena de prisão de Dong (2001)
11 meses Última pena após deportação do Vietnã
0 Vítimas reconhecidas pelo PCCh

Uma Vida de Resistência

Da assinatura de uma petição até a travessia solitária do Mar Amarelo — a linha do tempo de um homem que se recusou a se render ao silêncio.

1989
Policial assina petição pró-Tiananmen

Trabalhando como policial em Zhengzhou (Henan), Dong assina uma petição apoiando as vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial. É demitido da corporação.

2001
Primeira prisão — 3 anos

Preso acusado de "incitamento à subversão do poder do Estado". Sentença: 3 anos de reclusão.

Prisão
2014
Segunda detenção — homenagem a Tiananmen

Detido por organizar eventos em memória das vítimas do massacre. Sentença de 3 anos e meio de reclusão.

Prisão
2015 — 1ª fuga
Tailândia — com esposa e filha

Escapa para a Tailândia com sua família. São detidos pelas autoridades tailandesas e deportados de volta à China. Sua esposa Gu Shuhua e a filha eventualmente obtêm asilo no Canadá; Dong permanece preso.

Deportado
2019 — 2ª fuga
Nada para Taiwan (Kinmen)

Recém-saído da prisão, entra no mar na cidade de Shishi (Fujian) e nada em direção à ilha de Kinmen (Taiwan). Avistado por pescadores chineses e levado de volta.

Interceptado
2020–2022 — 3ª fuga
Dois anos escondido no Vietnã

Cruza ilegalmente a fronteira para o Vietnã e vive escondido em Hanói por dois anos. Em 2022, é detido pelas autoridades vietnamitas e novamente deportado para a China.

Deportado
2022–2023
Terceira prisão — 11 meses

Preso após a deportação do Vietnã. Solto em outubro de 2023 após cumprir 11 meses.

Prisão
Maio 2026 — 4ª fuga ✓
Bote inflável — Mar Amarelo — Coreia do Sul

Parte de Weihai (Shandong) em um bote inflável a motor. Passa 30 horas no mar. É resgatado pela guarda costeira sul-coreana perto do condado de Taean, quase desmaiando de exaustão. Suas primeiras palavras: "Cheguei!"

Chegou!

30 Horas no Mar Amarelo

CHINA Shandong Weihai (partida) COREIA DO SUL Taean (chegada) ~200 km 30 horas no mar Mar Amarelo

Rota aproximada da travessia de maio de 2026

Imagine: mar aberto, noite fechada, um bote inflável a motor com um homem de 68 anos que já foi preso três vezes, deportado duas vezes, nadou em direção a Taiwan e viveu dois anos escondido no Vietnã.

Nenhuma escolta. Nenhum apoio em terra. Apenas ele, o motor, e a certeza de que desta vez não voltaria para trás. Foi uma tripulação de pesca que o avistou e acionou a guarda costeira sul-coreana — ele estava quase desmaiando de exaustão quando foi resgatado próximo ao condado de Taean.

O telefone ainda funcionava. A primeira coisa que fez foi mandar mensagem à ativista Sheng Xue:
"Cheguei!"

O Reencontro que Ele Tanto Buscou

Dong Guangping com esposa Gu Shuhua e filha em Bangkok, outubro de 2015

Dong Guangping (esq.) com a esposa Gu Shuhua e a filha em Bangcoc, outubro de 2015,
após entregarem documentos ao ACNUR. (Fonte: Notícias ao Minuto / IOL)

🍁

Esposa e filha com asilo no Canadá

Gu Shuhua e a filha de Dong vivem no Canadá com status de asilo. O próprio Dong também foi concedido asilo pelo Canadá — mas nunca conseguiu chegar até lá.

Em 2015, quando a família conseguiu chegar à Tailândia juntos, era a primeira vez em anos que estavam fora da China. Apresentaram-se ao ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) em Bangcoc, buscando proteção internacional.

Mas as autoridades tailandesas não reconheceram o pedido e os deportaram. Sua esposa e filha eventualmente encontraram um caminho seguro para o Canadá. Dong ficou para trás.

Cada tentativa de fuga foi, no fundo, uma tentativa de voltar para elas.
Human Rights in China — HRIC

O Apelo Urgente

"Pedimos ao governo sul-coreano que não deporte Dong Guangping de volta à China, onde ele enfrentaria perseguição severa. Sua luta persistente pela liberdade e pelos direitos humanos deve ser reconhecida, não punida."

A organização Human Rights in China (HRIC), com sede em Nova York, emitiu nota urgente solicitando que as autoridades sul-coreanas concedam proteção a Dong e não o devolvam ao regime que o perseguiu por mais de 35 anos.

A decisão da Coreia do Sul terá implicações humanitárias gravíssimas: deportá-lo significaria entregá-lo diretamente às autoridades chinesas que já o prenderam múltiplas vezes por simplesmente lembrar de 1989.

Compartilhe este artigo
Telegram Twitter E-mail