68 anos. Ex-policial. Ativista de direitos humanos.
Quatro tentativas de fuga. Trinta horas no mar.
Tudo para reencontrar a família — e ser livre.
Dong Guangping após sua prisão na China — 2014
(Fonte: Notícias ao Minuto / IOL)
| Naturalidade | Zhengzhou, Henan, China |
| Profissão | Ex-policial — exonerado por assinar petição pró-Tiananmen |
| Família | Esposa Gu Shuhua e filha com asilo no Canadá |
| Prisões | 3 vezes — 2001, 2014 e 2022 (ver linha do tempo) |
| Status (2026) | Detido na Coreia do Sul, investigado por imigração |
Dong era policial quando, em 1989, assinou uma petição apoiando as vítimas do Massacre da Praça da Paz Celestial. Esse único ato selou seu destino: demitido da corporação, perseguido pelo regime, preso duas vezes, e forçado a ver sua família partir para o Canadá sem ele.
Após 30 horas em um bote inflável no Mar Amarelo, quase desmaiando de exaustão, ele usou o telefone para enviar uma mensagem à ativista Sheng Xue confirmando a chegada.
Em 4 de junho de 1989, o Exército Popular de Libertação foi enviado pelo Partido Comunista Chinês para esmagar manifestantes estudantis que ocupavam a Praça da Paz Celestial (Tiananmen) em Pequim. O número exato de mortos nunca foi confirmado — o governo chinês suprimiu completamente o evento da memória coletiva nacional.
Dong Guangping trabalhava como policial em Zhengzhou, na província de Henan. Ao assinar uma petição em solidariedade às vítimas, cometeu o que o regime considera um crime imperdoável: lembrar.
Da assinatura de uma petição até a travessia solitária do Mar Amarelo — a linha do tempo de um homem que se recusou a se render ao silêncio.
Trabalhando como policial em Zhengzhou (Henan), Dong assina uma petição apoiando as vítimas do massacre da Praça da Paz Celestial. É demitido da corporação.
Preso acusado de "incitamento à subversão do poder do Estado". Sentença: 3 anos de reclusão.
PrisãoDetido por organizar eventos em memória das vítimas do massacre. Sentença de 3 anos e meio de reclusão.
PrisãoEscapa para a Tailândia com sua família. São detidos pelas autoridades tailandesas e deportados de volta à China. Sua esposa Gu Shuhua e a filha eventualmente obtêm asilo no Canadá; Dong permanece preso.
DeportadoRecém-saído da prisão, entra no mar na cidade de Shishi (Fujian) e nada em direção à ilha de Kinmen (Taiwan). Avistado por pescadores chineses e levado de volta.
InterceptadoCruza ilegalmente a fronteira para o Vietnã e vive escondido em Hanói por dois anos. Em 2022, é detido pelas autoridades vietnamitas e novamente deportado para a China.
DeportadoPreso após a deportação do Vietnã. Solto em outubro de 2023 após cumprir 11 meses.
PrisãoParte de Weihai (Shandong) em um bote inflável a motor. Passa 30 horas no mar. É resgatado pela guarda costeira sul-coreana perto do condado de Taean, quase desmaiando de exaustão. Suas primeiras palavras: "Cheguei!"
Chegou!Rota aproximada da travessia de maio de 2026
Imagine: mar aberto, noite fechada, um bote inflável a motor com um homem de 68 anos que já foi preso três vezes, deportado duas vezes, nadou em direção a Taiwan e viveu dois anos escondido no Vietnã.
Nenhuma escolta. Nenhum apoio em terra. Apenas ele, o motor, e a certeza de que desta vez não voltaria para trás. Foi uma tripulação de pesca que o avistou e acionou a guarda costeira sul-coreana — ele estava quase desmaiando de exaustão quando foi resgatado próximo ao condado de Taean.
Dong Guangping (esq.) com a esposa Gu Shuhua e a filha em Bangcoc, outubro de 2015,
após entregarem documentos ao ACNUR. (Fonte: Notícias ao Minuto / IOL)
Gu Shuhua e a filha de Dong vivem no Canadá com status de asilo. O próprio Dong também foi concedido asilo pelo Canadá — mas nunca conseguiu chegar até lá.
Em 2015, quando a família conseguiu chegar à Tailândia juntos, era a primeira vez em anos que estavam fora da China. Apresentaram-se ao ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados) em Bangcoc, buscando proteção internacional.
Mas as autoridades tailandesas não reconheceram o pedido e os deportaram. Sua esposa e filha eventualmente encontraram um caminho seguro para o Canadá. Dong ficou para trás.
"Pedimos ao governo sul-coreano que não deporte Dong Guangping de volta à China, onde ele enfrentaria perseguição severa. Sua luta persistente pela liberdade e pelos direitos humanos deve ser reconhecida, não punida."
A organização Human Rights in China (HRIC), com sede em Nova York, emitiu nota urgente solicitando que as autoridades sul-coreanas concedam proteção a Dong e não o devolvam ao regime que o perseguiu por mais de 35 anos.
A decisão da Coreia do Sul terá implicações humanitárias gravíssimas: deportá-lo significaria entregá-lo diretamente às autoridades chinesas que já o prenderam múltiplas vezes por simplesmente lembrar de 1989.